Aproveitando a deixa do Cigano (post anterior), coloco aqui um video da Scout Niblett com a participação de Bonnie Prince Billy. Esta cantora britânica, que rouba o nome artístico - Scout - a uma deliciosa personagem do romance de Harper Lee- To Kill a Mocking Bird (Nâo Matem a Cotovia, em português)-, vai estar em Lisboa para a semana na galeria ZDB.
Voltemos a A Naifa para falar do que percebo menos, de música. Deixemos as letras para outro dia, outro blog. Outras presunções, outros desejos.
A música. Para quem tenha tido a sorte de ouvir Peste&Sida, Despe&Siga, Sitiados ou Ramp há uma meta-naifa que primeiro perplexa e depois complexa. É simples, esta vida de marinheiro tanto pode levar o marujo para o metal, como para o ska e é sabido que há mais marés que marinheiros. A Naifa é bem prova disso.
Teria sido diferente A Naifa sem as experiências musicais anteriores dos seus membros? Pergunta estúpida. Nunca chegamos onde estamos sem ter passado por onde andámos. Isto para não ir para velho Heraclito ou para Luíza Neto Jorge. O meu sentido é outro. O do reconhecimento de um amor primário à música. Não se chega à Naifa sem amor muito e muito amar a música. Aliás, creio bem que uma das razões pelas quais tanto admiro esta banda, já para lá do simples gostar instinto, uma reflexão maior vem do facto de não me deixarem queixar do país.
Explico. É comum ver repetido, até já sem pensar nisso, o elogio às bandas folk e indie de outras proveniências, anexando lamúrias de não haver em Portugal algo assim. Pois bem, Portugal não precisa de algo assim, Portugal tem a Naifa. A fazer melhor o que muitos Andrew Birds ou Vetiver ou Lekmans não fazem. Explico novamente. Há que reinventar, dizem os analistas dos anos 90 e desta década de 10. Se os 90 foram uma década de revisitações, esta de 10 ainda não se percebe bem o que será, o que é. Pode bem ser a década da Naifa. Admirações à parte, nunca tive o fascínio daquilo que vem de fora (bem, eu vivo no País das Maravilhas é compreensível no meu caso), mas para tecer loas a quem pega na folk americana e a recicla teçam-se loas a quem pega no fado e faz dele o mais moderno dos destinos. E o mais arrepiante também. Ou não fosse o fado o domínio dos calafrios.
Nesse aspecto o gostar pelo poros da Naifa, depois de percebido, de entendido, de realizado (como soe dizer-se agora), que estão ali em palco músicos, músicos até à medula, que tocam tudo o que for preciso traz um outro grau de prazer ao prazer da música. Apuram-no.
Aconteceu-me a mim, na sexta-feira passada, sem qualquer desprimor para os restantes, a dado momento do concerto, olhava Luís Varatojo, enrolado para dentro de uma guitarra portuguesa, de uma forma que a vontade comove e, e pensava para mim: e é este o tipo dos Peste&Sida. É preciso mesmo ser Músico.
Os arranjos, as melodias, é preciso beber muita alma, muito país, para conseguir meter o fado assim adentro de outros tantos sons, de trazer o fado da idade média, de Alfama, até à boca do bairro que se queira, metida depois pelo corpo dentro. Já o disse.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 5:18 PM2 Vozes
Imagina que tinham-te congelado em 1998 e que saías agora do congelador. Imagina que à época, os nomes que vou passar a enunciar, faziam parte da tua colecção de K7's: - Radiohead: Ok Computer - Pearl Jam: Ten - Portishead: Dummy - Bjork: Homogenic - Nick Cave: Boatman's Call - dEUS: In a bar (...) - Tindersticks: Curtains - P.J. Harvey: Is this desire
Agora, vai ao teu computador ou estante de cd's e vê lá que discos é que tens por lá que tenham sido editados nos últimos dois anos. Provavelmente encontrarás: - Radiohead: In Rainbows - Pearl Jam: Pearl Jam - Portishead: Third - Bjork: Volta - Nick Cave: Dig!!!! Lazarus, Dig!!!! - dEUS: Vantage Point - Tindersticks: The Ungry Saw - P.J. Harvey: White Chalk
E se alguns destes nomes têm estado a editar ao longo desta última década, outros têm cumprido uma espécie de licença sabática. Isto já para não falar daqueles que voltaram a tocar juntos como os Pixies, os Rage Against the Machine (um dos concertos mais aguardados deste ano) ou os Stone Temple Pilots. Não deixa de ser curioso que estas bandas vindas dos 90's e algumas dos 80's, sejam as que estão a realizar alguns dos trabalhos mais interessantes feitos na década corrente.
24 QUINTA, 23H30, CINEMA SÃO JORGE 2 27 DOMINGO, 18H30, CINEMA SÃO JORGE 2
Focusing on aesthetic differences and similarities between American and Canadian music video productions, the guide takes us on excursions to freak peoples (Devendra Banhart, Joanna Newsom), indietronica (Bobby Birdman, Caribou) and all aspects of rock (Sleater Kinney, Smog, Wolf Parade, Band of Horses). The differences are evident, but what they share in common is a staggering creativity and unpretentiousness that can only put one in a good mood.(ler mais aqui)
Um dos documentários musicais da próxima edição do festival Indie Lisboa que começa na próxima quinta-feira.
Ontem, a propósito do terceiro álbum Uma inocente inclinação para o mal, fui até ao Teatro Maria Matos assistir, pela segunda vez, a um concerto d'A Naifa.
A Naifa, já aqui deles tenho falado, é a melhor música portuguesa que tenho ouvido nos últimos tempos. O primeiro álbum é bom, o segundo maravilhoso, o terceiro, agora lançado, não destoa.
Ontem no Maria Matos o quarteto não desiludiu e deu-se até ocasião para, no segundo regresso ao palco, encerrar o concerto com a Desfolhada de Simone. Inebriante.
E sempre com o fado como fundo, com toda a música que resta por cima.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 2:47 PM0 Vozes
4.19.2008
Tamikrest - Azawad
Quem disse que o Sahara não era fértil? É-o bastante para que do solo mais árido brotem melodias e ritmos capazes de alimentar milhares de almas.
Há uns tempos - não sei precisar quantos - escrevi por aqui sobre os Tinariwen, agora falo-vos dos Tamikrest. Bebem da mesma água, protegem-se da mesma areia, falam a língua do deserto ali para os lados de Azawad (norte do Mali).
Talvez não sejam tão hipnóticos como os Tinariwen mas nem por isso deixam de ser igualmente excelentes. Para aqueles lados faz-se da música mais excitante do globo, podem crer.
Gostava de saber dizer em Tamasheq: "alto som" mas "ehhhh" deve dar.
Inverno (a propósito do tempo chuvoso que se vive nesta cidade e que contrasta com as provocações de Verão de há duas semanas)
Quem me conhece bem acusa-me de ser um pouco desbocada, o que admito que seja verdade, mas, pesando os prós e os contras, penso que me tem trazido (a mim, e aos outros) mais bem que mal.
Isto para dizer que outro dos meus companheiros de blog anda a ouvir incessantemente um disco lindíssimo que ainda não partilhou aqui (porque ele não é muito dado a isso), mas que eu me sinto tentada a publicitar.
Bon Iver é o nome do projecto a solo de Justin Vernon que se fechou numa 'cabin' no Winconsin durante cerca de quatro meses de um Inverno nevoso e o resultado foi este disco que foi editado no início deste ano:
The Offspring, Coliseu, tinha 13 anos. Foi o primeiro concerto que fui com amigos (já tinha ido ver os U2 Pop-mart tour nesse mesmo ano, em Alvalade, mas com familiares) e tenho a certeza que a minha mãe não tinha noção ao que eu ia e felizmente não conseguiu antecipar (ou imaginar) os biqueiros e o mosh... Ao fim da primeira música deixei de ver os meus amigos- os encontrões tinham-nos arrastado cada um para seu lado. Eu aproximei-me das grades da cabine de som e agarrei-me a elas. Lembro-me de estar satisfeita por dali conseguir ver uma playlist colada a um canto e por dois rapazes, que eu não conhecia de lado nenhum, terem detectado a fragilidade da magricelas de 13 anos que estava sozinha no meio daquela confusão. Protegeram-me dos encontrões durante todo o concerto, funcionando como uma espécie de amortecedores humanos que a cada leva de encontrões diminuia a pressão dos jovens contra as grades em 80%. Adorei o concerto, na altura vibrava muito com o todas as músicas do álbum Smash que eles devem ter tocado quase na íntegra. No final reencontrei os meus amigos e vi que a Maria e a Joana estavam a pingar de transpiração (ainda mais do que eu) e todas doridas com nódoas negras. Ainda iríamos levar muita 'porrada' em concertos. Foi o primeiro de muitos que marcaram a nossa adolesc^ncia. Olhando para trás, as grandes emoções foram vividas e partilhadas em torno da música e do desporto, algumas vezes em deliciosas sobreposições.
É por estas e por outras que devo andar mais atenta.
Art Brut - Pump Up The Volume
We'd taken our clothes off, in the rewarder And you're leavin' your shoes to make you look taller And I can't say I'm not enjoying the kissing But I've a sneaking suspicion that you're not really listening
I know I shouldn't Is it so wrong To break from your kiss To turn up a pop song
(bis)
I'm taking it slowly I've been reading the signs I found my hand in a place Where I can't tell if she minds Rolling around amongst our clothes on the floor I can't help it: "Have you heard this song before?"
I know I shouldn't Is it so wrong To break from your kiss To turn up a pop song
(bis)
Then something angry muttered, Between two people, red and flustered We'd just kissed and that's about it It may as well have been radio static
I know I shouldn't Is it so wrong To break from your kiss To turn up a pop song
- entre 11-20 Julho tocam em Portugal: Lou Reed, Neil Young, Leonard Cohen e Bob Dylan - os The National tocam duas vezes no espaço de três meses (maio e julho) - os R.E.M. tocam em quase todos os países da Europa, pelo menos uma vez, com excepção de Portugal e Grécia (5 vezes em Itália!) - parece que ainda não é este ano que os The Shins vêm a Portugal...
Não sou muito dada a música que inspira o tipo de estado de espírito que percorre este álbum, mas todos temos as nossas fases e tenho-me supreendido com a quantidade de vezes que regresso a este álbum de 2006 dos texanos Midlake que só recentemente descobri.
Deixo aqui uma amostra:
Para os que queiram prosseguir com esta toada melancólica, o álbum poderá ser descarregado na sua totalidade aqui.
"In the backstage compound, within minutes we are all drunken and scared at how fast it went. Then, just what we needed, our friend Carlos Of Interpol beams out of the night. We can’t believe it. On the plane over, we were amazed enough to see Carlos featuring in the in-flight entertainment - skilfully taking the role of Joaquin Phoenix in M Night Shyamalan’s 2004 thriller The Village. And now here is in the flesh. Sing hallelujah! He tells us we were great, the dirty fucking liar, and then soon all of time is gone. Not one of us remembers getting from Carlos to the tour bus. But it happened. As we leave the festival site, our keyboardist Eamon wakes momentarily to hear a joyous, spirited whinnying resounding through the night. Goodbye Miss Kittin, goodbye Wansdyke Lass and goodbye Coachella Valley Music And Arts Festival."
E entretanto saiu o seu último grande álbum, para quem ainda gosta de rock, a sério:
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 12:35 PM1 Vozes
Muito chá tenho eu bebido nos últimos dias por força de circunstâncias não tão simpáticas como este disco que quero agora recordar e partilhar por nenhuma razão especial que não seja o facto de acompanhar na perfeição serões caseiros tranquilos como os de hoje. Um clássico que atingiu tripla platina (no tempo em que isso ainda era possível), um cantor que nos anos 70 abandonou a guitarra e se converteu em Yusuf (e no resto). O que me faz lembrar que, por tudo o que este disco representa (e arrepios que induz), sinto-me no dever de ouvir o álbum de 2006 que marca o regresso do artista aos discos e que vem no seguimento de tudo isto - An other Cup. Nas palavras do próprio:
You know, the cup is there to be filled ... with whatever you want to fill it with. For those people looking for Cat Stevens, they'll probably find him in this record. If you want to find Yusuf, go a bit deeper, you'll find him.
Obama: Morrissey Jeff Tweedy dos Wilco Win Butler dos Arcade Fire Joanna Newsom Bright eyes M. Ward The Grateful Dead will.i.am dos The Black Eyed Peas Michael Stipe- REM Jay-Z
(pesquisa não-enviesada através do motor de busca do google)
Once a marketing gimmick, free has emerged as a full-fledged economy. Offering free music proved successful for Radiohead, Trent Reznor of Nine Inch Nails, and a swarm of other bands on MySpace that grasped the audience-building merits of zero. The fastest-growing parts of the gaming industry are ad-supported casual games online and free-to-try massively multiplayer online games. Virtually everything Google does is free to consumers, from Gmail to Picasa to GOOG-411. (ler mais sobre o artigo de Chris Andersen sobre o futuro dos negócios- Free! - aqui)
E a propósito desta temática, a borla do dia:
Os 97.21 minutos do aclamado documentário musical Heima que os sigur rós realizaram e disponibilizaram na passada sexta-feira a todos os you-tubers.